Claudia Barros: Desafios e inspirações
- High Speed

- 27 de jun. de 2024
- 2 min de leitura
Ellen da Costa, 27 de Maio de 2024
“Eu não sabia nem ligar a moto”, relata a campeã da Ladies Cup na última etapa do SBK.

Foto: Acervo pessoal Cláudia Barros
Aos 28 anos, Cláudia teve seu primeiro contato com a motovelocidade. Até então, ela nunca havia pilotado uma moto, em parte devido à resistência de seu pai. "Meu pai nunca me deixou andar, mas ele sempre andou com a minha mãe", relembra.
Sua trajetória começou na rua, aprendendo com seu pai e, posteriormente, fazendo um curso com Leandro Melo, que a incentivou a entrar no universo das pistas.
Hoje, com 41 anos, Cláudia reflete sobre sua jornada. "Comecei a andar com 28, antes eu não sabia nem ligar a moto", conta. A paixão pela motovelocidade foi impulsionada por amigos, especialmente por Rogerinho, chefe da equipe, que a incentivou a participar de competições. "Eu sempre gostei de fazer track, mas ele me incentivou, meus amigos que eu ando na rua, minha família, e isso me levou a correr no Superbike."
No entanto, a trajetória não foi isenta de desafios. "Dentro da pista, eu tenho um pouco de medo de ultrapassar... também tenho medo da largada", admite Cláudia. Esses receios, porém, são superados pelo amor ao esporte e pelo apoio que recebe.
Ser uma mulher na motovelocidade traz uma pressão adicional. "Sim, a pressão é bem maior, ainda mais por eu estar andando na frente de alguns homens", afirma. A competição pode ser acirrada, e Cláudia já enfrentou dificuldades, especialmente na última corrida onde "eles bateram bastante em mim", afirmou ela. Apesar dos desafios, ela mantém a determinação: "eu tô ali pra competir com eles, eu gosto de competir com os meninos então tem que aguentar né".
Cláudia não sofreu acidentes graves em corridas, apenas durante track days, onde quebrou dois dedos da mão. "Meu pai sempre me ensinou de uma maneira para eu não ter medo. Ele freava na minha frente, freava minha moto, então ele me preparou pra isso, ele falava que os meninos iam fazer isso comigo. Então eu me acostumei com o susto, com essas coisas", conta. Ele a preparou para as adversidades do esporte, ensinando-a a lidar com sustos e situações inesperadas.

Foto: Reprodução/Instagram @claudiamoraesde
Para atrair mais mulheres ao esporte, Cláudia sugere a redução dos custos. "Esse é um esporte muito caro, eles deveriam baratear para as mulheres, fazer uma coisa diferenciada", argumenta.
Ela acredita que muitas mulheres têm interesse em participar, mas são desencorajadas pelos altos custos. "O que eu puder incentivar a mulherada a ir pra pista eu acho que é o lugar certo pra gente andar", conclui.
A história de Cláudia é uma inspiração para muitas, demonstrando que com apoio, determinação e paixão, é possível superar barreiras e brilhar em um esporte majoritariamente masculino.
Sua mensagem é clara: com mais incentivo e acessibilidade, muitas outras mulheres podem seguir seus passos e alcançar o sucesso na motovelocidade.





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